Instituto Vegotsky


O Instituto Vegotsky integra um projeto iniciado há mais de duas décadas e desenvolvido em três fases.

Em 1996, o IPAF – Instituto de Psicologia Aplicada e Formação foi a primeira escola em Portugal, e uma das primeiras no Mundo, especificamente orientada para a profissionalização de psicólogos clínicos. Centenas de psicólogos portugueses passaram pelo IPAF e aí desenvolveram competências que em muito contribuíram para a sua integração profissional. Num plano de dois anos, outros profissionais trabalhavam com os novos colegas tudo o que se entendia ser necessário ao bom sucesso na profissão. A par de muita matéria de caracter técnico-científico, sempre acompanhado de muita prática clínica, também temas menos da ciência mas igualmente necessários à prática, como a escolha do nome profissional, a imagem que se comunica pela forma como nos vestimos, a procura de um consultório e a organização e gestão financeira do mesmo, aspetos legais da profissão, etc., eram trazidos às reuniões/formação. A boa adesão de muitos colegas de todo o país motivou unidades em Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo. Tempos de muito trabalho, mas também de muita gratificação profissional.

No ano de 2005 o IPAF dá lugar ao IQA – Instituto Quintino Aires. Existiam já no país outros espaços nascidos do IPAF a fazer um excelente trabalho, e foi possível focar a nossa atividade na prática clínica. O grande motor foi o PE – Projeto Psicoterapia na Escola, que com recursos públicos, sem qualquer custo para pais ou escolas, permitiu levar um trabalho que consideramos de enorme qualidade na área da Neuropsicologia e Psicoterapia a milhares de crianças, sem preocupações de tempo ou de oportunidade, uma vez que as nossas equipas se deslocavam às escolas. Já nos anos finais do projeto, chegamos a ultrapassar as 60 mil consultas anuais, com o esforço de muitos psicólogos. Alguns faziam mais de 200 quilómetros para se deslocarem até às escolas para aí trabalharem com as crianças e jovens. Também aqui, e é esta a forma que gostamos de trabalhar, vários colegas replicaram o modelo de trabalho, criaram as suas próprias empresas, e ainda hoje dão continuidade a este maravilhoso trabalho.

Em 2016 foi possível tomar outro rumo e focar a investigação com o Instituto Vegotsky. Durante vinte anos, e com muito suporte dos professores e colegas da Universidade de Moscovo, estabelecemos excelentes parcerias com muitos dos melhores do mundo que também por ali passam. Acumulavam-se os convites para integrar projetos internacionais, mas a correria, exigida primeiro pela formação e depois pela clínica, permitia apenas abraçar alguns; sempre com muita vontade de mais. É esse o nosso caminho hoje. Com 11 psicólogos organizados em três equipas, Lisboa, Porto e Leiria, continuamos o trabalho clínico ao qual juntamos muito estudo e investigação. Semanalmente cada psicólogo dedica 30 horas à clínica e cinco horas à formação em serviço. E depois destas 35 horas de trabalho semanal ainda muitas outras já em casa estudando e preparando os trabalhos/investigações a que queremos dar continuidade. Hoje a nossa investigação foca o desenvolvimento cerebral, especialmente nos casos sem patologia neurológica mas com compromisso psicológico, aquela que é, na minha e de muitos outros, a área de ponta da Psicologia Contemporânea. Foi com muita alegria que vimos este trabalho já distinguido por cinco vezes, das quais gostamos de salientar o Prémio Copérnico, atribuído pela Sociedade Polaca de Neuropsicologia, em 2012, e o Prémio A.R. Luria, atribuído pela Universidade de Moscovo, em 2017.

Por tudo isto que temos conseguido, estamos muito gratos aos muitos e grandes profissionais que nos têm acompanhado, e muitas vezes orientado, deixando aqui referencia aos que nos deram a hora de nos visitarem em Portugal e assim melhor conheceram e analisaram connosco o nosso trabalho, o que muito nos enriqueceu.

Joaquim Quintino Aires