“O meu filho é inteligente como a mãe e bonito como eu”

Escrito em em Junho 19, 2019

Quando pessoas bonitas se acham bonitas, naturalmente gostam de salientar a sua beleza. E o caminho mais fácil é apontando a beleza de um filho

A perceção, a forma como vemos as coisas, é extremamente subjetiva. Mesmo olhando uma cadeira, duas pessoas podem encontrar detalhes diferentes. Se passamos para a análise da beleza das pessoas, então essa subjetividade é ainda mais evidente.

Quando pessoas bonitas se acham bonitas, naturalmente gostam de salientar a sua beleza. E o caminho mais fácil é apontando a beleza dos seus filhos. A verdade é que muitas vezes até se acham eles próprios ainda mais bonitos do que os filhos. Mas é a forma mais discreta de alertar alguém mais distraído que ainda não tivesse reparado.

“O meu filho é inteligente como a mãe e bonito como eu”, poderão dizer. E nesse momento já percebemos que se acham ainda mais bonitos do que o filho! Ganharam a oportunidade de influenciar a opinião dos outros, que agora poderão pensar: “Realmente, ele é tão bonito que só poderia ter filhos bonitos!”.

Se eu acreditasse naquela velha teoria de que as mulheres procuram homens bonitos, inteligentes e poderosos para que os seus genes se expressem nos seus filhos, que então seriam também bonitos, inteligentes e poderosos, acharia uma boa estratégia. Mas a verdade é que acredito tão pouco nessa teoria quanto acredito que os homens que dizem essa frase achem realmente que os seus filhos sejam tão bonitos quanto eles.

E a inteligência já todos sabemos que não vem pelos genes. Por isso, quando escuto algum homem dizer tais palavras só consigo pensar: “Coitada daquela mulher e coitado daquele filho.” Ela, porque casou com um narcísico que deve namorar ao espelho; o filho, porque vai crescer com um pai a competir com ele. E o pior é que também penso que esses homens ficam à espera que lhes digamos que também eles são muito inteligentes. Uma constatação que seria estúpida, depois de alguém dizer aquela frase…

(publicado originalmente na revista Cristina, em novembro de 2016)


Tagged as , ,



Comentários

Deixar um comentário

O seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios marcados com um asterisco (*)


Continuar a ler