A falta que o sexo faz…

Escrito em em Junho 16, 2019

“A falta que o sexo faz!”. Não é um desabafo que se escute com frequência. Mas bem podia ser.

“A falta que o sexo faz!”. Não é um desabafo que se escute com frequência. Mas bem podia ser. Acredito mesmo que não escutamos mais vezes esse desabafo, porque o sofrimento que resulta da falta de sexo ainda não tem nome. E como o que não tem nome é difícil de pensar, muitas pessoas continuam incomodadas, nervosas, irritadiças, implicativas, quase insuportáveis, e nem percebem que tudo seria bem diferente com uma boa noite de sexo. Ou apenas alguns minutos. E talvez nem precisasse de ser muito bom. Apenas sexo.

Uns concordarão comigo, outros acham que estou a exagerar. Porque uns conhecem o sexo, outros estão ainda nas trevas do desconhecimento e da inexperiência. Há até quem confunda sexo com procriação, e como a vida está difícil, e dois filhos já fazem muita despesa, o melhor mesmo é colocar um televisor no quarto, ou deitar os miúdos na cama dos pais, e esquecer isso do sexo.

É verdade que o sexo nasce da procriação. Mas com a evolução e o desenvolvimento psicológico humano, com a invenção da fala e a descoberta da fantasia, do brincar e do faz de conta, o sexo ganhou autonomia e já pouco tem a ver com procriação.

Na sociedade atual, o sexo é antes o garante do equilíbrio psicológico. Resgata comportamentos e atitudes primitivos, que a nossa memória não regista mas o corpo bem se lembra. Oferece a cada um de nós a possibilidade de uma breve experiência do tempo em que os nossos antepassados se divertiam na selva. O mesmo que as crianças, de uma forma tão perfeita, imitam nas suas brincadeiras, mostrando os seus instintos e ao mesmo tempo equilibrando-se psicologicamente. É como se conectássemos a nossa mente e o nosso corpo com a raiz que nos prende à Terra e à vida. E nos reconstrói e organiza para a exigente vida em sociedade.

E é bom não esquecer que nada disto tem a ver com Amor ou romantismo… Tem a ver com Vida!

(publicado originalmente na revista Cristina, em outubro de 2016)


Tagged as , ,



Comentários

Deixar um comentário

O seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios marcados com um asterisco (*)


Continuar a ler