As mulheres gostam cada vez mais de futebol

Escrito em em Junho 2, 2019

Hoje são cada vez mais as mulheres a entusiasmarem-se e a vibrarem com o futebol

Longe vão os tempos em que o futebol era para homens. Tempos caracterizados por uma quase absoluta separação de espaços, uns destinados ao homem e outros à mulher, que eventualmente penetrava no sagrado templo da sala de televisão, se era este o meio de assistir à partida de futebol, apenas para entregar mais algumas cervejas ou tremoços. Aquele era um espaço para os homens, e os poucos comentários das mulheres não iam muito além do clássico “não sei que graça encontram eles naquilo”.

Mas isso foi noutro tempo. Não sei se começaram por acompanhar os filhos aos treinos e aos seus jogos de futebol. Não sei se começaram por se atrever a simplesmente acompanhar os namorados, ganhando um pouco mais do tempo de domingo com eles. A realidade é que hoje são cada vez mais as mulheres a entusiasmarem-se e a vibrarem com o futebol.

Confesso que fiquei de boca aberta a primeira vez que fui ver um jogo do meu sobrinho. Durante noventa minutos não reconheci a minha irmã mais velha. Ela conhecia as técnicas de jogo, as regras do futebol, e pelo que dizia até fiquei a pensar que ela conhecia alguma coisa da vida pessoal do árbitro…

Quando joga o clube do seu coração, tudo se organiza em casa de modo a poderem assistir juntos ao desafio de futebol. E o mesmo se repete em cada vez mais lares. As salas de televisão já não são espaços apenas para homens durante o futebol, e nos estádios elas são as mais energéticas a comentar aos jornalistas qualquer resultado de um jogo.

Naturalmente que a família ganhou muito com esta mudança. Quando este assunto é comentado no masculino, percebe-se uma nostalgia daquele outro tempo, já passado, em que durante uns minutos eles, apenas eles, reviviam os tempos de adolescência, quando só faltava um letreiro, dizendo: “Mulher não entra”. Mas apenas isso. Porque no fundo eles têm orgulho na participação delas.

(publicado originalmente na revista Cristina, em junho de 2016)


Tagged as , ,



Comentários

Deixar um comentário

O seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios marcados com um asterisco (*)