Rir de nós próprios é o melhor remédio

Escrito em em Maio 26, 2019

Para algumas escolas de Psicologia, rir de nós próprios é o indicador mais manifesto de desenvolvimento psicológico humano individual

Rir é mesmo o melhor remédio. Inclusive criaram a terapia do riso. Ao rir, o corpo descontrai, e mesmo que depois os músculos fiquem a doer, as moléculas libertadas pelo sistema endócrino e nervoso deixam um bem-estar geral que dispõe muito bem para a vida e para a relação com os outros. Faz bem à saúde física, mental e social, e é uma reação bem natural.

Quem nunca se descontrolou, rindo ao ver qualquer comum ser humano escorregar e cair? Mais difícil é rir do seu próprio tropeção, da sua gafe ou de uma característica própria que poderia ser motivo de uma boa gargalhada em grupo. Rir de si próprio exige primeiro um suficiente desenvolvimento da consciência, uma estrutura psicológica que permita à própria pessoa representar-se mentalmente e reagir em relação a si como o faz em relação aos outros.

Para algumas escolas de Psicologia este é mesmo o indicador mais manifesto do desenvolvimento psicológico humano individual. A consciência permite ao ser humano observar-se fora de si mesmo e agir em relação a si como o faz em relação a todos os outros seres humanos. Incluindo rir-se de si.

O riso traz ao corpo a emoção necessária à mudança, à evolução e ao desenvolvimento pessoal e social. E neste movimento de se rir de si mesmo, expande mais a consciência e a capacidade de se olhar a si próprio e de se reconhecer igual aos outros.

Quando de visita às ruínas de Cobá, no México, um descendente maya me disse que se referiam a eles mesmos como “Chaparritos, panzones y cabezones” (baixinhos, barrigudos e cabeçudos), terminou a frase com uma gargalhada e ainda acrescentou que gostam muito de comer tortilha …

Acredito que a capacidade de se rir de si próprio poderá ser uma via para concretizar no Mundo a grande máxima ocidental do Ama o teu próximo como a ti mesmo. Uma máxima admirada e repetida por muitos de nós, mas difícil de tornar real, porque talvez ainda nos falte essa capacidade de nos rirmos de nós próprios e nos reconhecermos iguais a todos os outros.

(publicado originalmente na revista Cristina, em março de 2016)


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