“Possuis-me ou perdes-me?”: o fim da opressão sexual das mulheres

Escrito em em Maio 22, 2019

As mulheres mudaram e fecharam a sete chaves os catorze séculos de opressão sexual

Mudam-se os tempos, muda tudo e até o sexo já não é o que era. Depois da época negra entre os séculos IV e XIX, os revolucionários do século XX não poderiam imaginar o que queimar soutiens e inventar a pílula podia provocar. E se nesse tempo eram as mulheres que pareciam mais amordaçadas em relação ao sexo, fruto de anos ensinadas que nem tinham desejo (e muitas acreditando …), a verdade é que foram elas quem acelerou a transformação e hoje são os homens que se surpreendem e assustam com o que escutam.

Já passou a tema dos livros de história da cultura privada a ideia da mulher ingénua e receosa, em pânico com a noite de núpcias quando “aquilo” fosse acontecer. Também já ficou no passado o conceito de mulher que espera que o marido “a procure”, pois parece mal ser ela a manifestar desejo. Hoje já são poucos os homens que na consulta se queixam que as suas mulheres são frias no sexo, que tiveram uma educação muito rígida e que por isso não se sentem confortáveis com a intimidade conjugal nem mesmo se fosse às escuras. E também já passámos a década de mulheres frustradas que em consulta se queixavam que os engates de noite acabavam quase sempre em nada, mesmo quando os levavam para casa.

As mulheres mudaram, descobriram a verdade sobre a vida como quem saísse da caverna de Platão sem que a luz lhe ferisse os olhos, e agora já sem medo e sem angústia, fecharam a sete chaves os catorze séculos de opressão sexual, e até já lançaram cada uma das sete chaves ao mar para que ninguém as encontreE por isso, quando hoje no século XXI lhes perguntamos sobre os porquês dos seus divórciosnem nos surpreende se nos respondem com explicações do tipo Eu ainda lhe disse, possuis-me ou perdes-me. Ele escolheu e eu divorciei-me 

(publicado originalmente na revista Cristina, em fevereiro de 2016)


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