Natal: o tempo de lembrar a família

Escrito em em Dezembro 19, 2018

No Natal celebramos a família, o que para mim tem um significado muito especial

No Natal celebramos a família. É uma época com forte significado religioso para uns e uma orgia de compras para outros. Mas o Natal é também o tempo de lembrar a família. Em muitas casas juntam-se todos para jantar ou almoçar, e quase sempre despoletam grandes discussões e até algumas brigas. Mas não deixa de ser o momento do ano em que lembramos e celebramos a família.

Como o dia dos namorados, o dia da criança, o dia dos amigos e das amigas em muitas cidades, o dia de Portugal, da República, etc., etc., no Natal celebramos a família, o que para mim tem um significado muito especial. Não pelos presentes, pois há muitos, muitos, anos que não ofereço nada a ninguém nesta época. Também não pelo caráter religioso, pois sou ateu. Mas porque quero lembrar-me que algumas pessoas têm comigo uma relação histórica muito especial, que nunca se poderá apagar porque faz parte da minha Pessoa. Ou seja, faz parte da minha carne e da minha alma. Fiz-me Pessoa, na relação cúmplice e continuada com aquela gente.

É evidente que também nós não somos apenas sorrisos uns para os outros. Relacionamo-nos mesmo! O que significa que enfrentamos os encontros e desencontros próprios da vida. Nada que me perturbe ou me desiluda! Nem me assusta ou mete medo. Sei que acontece, exatamente porque nos queremos por afetos e não por sorrisinhos apenas sociais. Aprendemos com os nossos educadores, quem nos mostrou o mundo, que aos nossos não faz mal dizermos e fazermos o que achamos e realmente pensamos; mesmo que depois a reação por vezes nos mostre que estávamos errados.

Entendo que tudo isso, junto com o carinho, a preocupação e a disponibilidade nos momentos difíceis de algum são o que faz de nós uma família. Sem a qual nunca, NUNCA, nos teríamos tornado gente consciente e lúcida, que acredito ser uma característica que nos marca. E porque sou feito de carne e sangue, mas também de uma “cabeça” que se construiu naqueles encontros e desencontros, nunca, nem ninguém poderá apagar a parte deles que existe em mim. Isso sou Eu. Por tudo isto gosto de me reunir com eles a cada Natal. Lembrando quem sou, à guisa de quem lhes agradece o que fizeram por mim. E é muito bom aquele jantar …

(publicado originalmente na revista Cristina, em dezembro de 2016)


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