Uma vez assisti a uma entrevista a japoneses fãs de Amália Rodrigues, que diziam que mesmo sem conhecerem a língua portuguesa entendiam o que ela contava. É a prova de que a comunicação também se pode basear na prosódia
Nem sempre os humanos puderam usar palavras para comunicar. Nos primeiros trezentos mil anos, cerca de três quartos do tempo total de existência da nossa espécie tal como a conhecemos hoje, a comunicação baseava-se nas posturas e na prosódia.
Esta é uma possibilidade ainda hoje, sempre que faltam as palavras. Por isso é fácil a crianças de pouca idade comunicarem com crianças de outra nacionalidade, mesmo quando não têm um idioma em comum. Já um adulto, demasiado habituado às palavras, sente-se perdido numa situação semelhante.
Lembro-me de assistir a uma entrevista a japoneses fãs de Amália Rodrigues, que diziam que mesmo sem conhecerem a língua portuguesa entendiam o que ela contava. Estavam, naturalmente, a recorrer-se da prosódia, que a diva do Fado usava como ninguém.
Estes exemplos mostram como, na falta de palavras, os programas biológicos existentes no cérebro humano permitem ainda a comunicação.