O mito da necessidade de mais atenção e da aprendizagem com os pais

Escrito em em Novembro 25, 2018

Quando os pais estão demasiado presentes, a criança e o jovem não sentem espaço para estabelecer novos vínculos emocionais fora da família, neste caso de amizade

Conversava recentemente com uns amigos que me falavam de como as crianças estão sozinhas durante todo o dia. Acordam cedo, e é a toda a velocidade que os pais as preparam para as levar à escola. À noite, dão-lhes banho e preparam o jantar, e querem deitá-las o mais cedo possível, e o mesmo se repete no dia seguinte.

Diziam, os meus amigos, que deste modo a criança está isolada, pois não tem com quem se relacionar e a ajude a crescer. Lembrei-lhes que na escola a criança tem outras crianças, educadores ou professores e auxiliares de educação, funcionários da secretaria da escola, adultos da sala de estudo, professores das actividades extra-curriculares, e mesmo funcionários do quiosque onde gosta de comprar pastilhas e rebuçados, e com todos eles interage e cresce. Quando chega a casa, ao fim do dia, a criança interagiu com várias pessoas, e o que mais quer, naturalmente, é descansar.

Com cada uma daquelas pessoas a criança e o jovem forma laços emocionais, e é uma ilusão e um erro pensar que a criança esteve sozinha todo o dia. É claro que com os pais estrutura um vínculo emocional especial, um vínculo de afecto. Mas depois dos três anos de idade não precisa de o alimentar todos os dias de uma forma especial. As interacções durante as refeições, a preparação para sair e o assistir a algumas actividades da casa são suficientes no dia-a-dia.

Mais, quando os pais estão demasiado presentes, a criança e o jovem não sentem espaço para estabelecer novos vínculos emocionais fora da família, neste caso de amizade, e o seu desenvolvimento fica comprometido. 


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