Estava sempre muito bonito, o menino de sua mãe. O filho era a sua vida. Mas depois apareceu aquela mulher e mudou a vida dele.
Estava sempre muito bonito, o menino de sua mãe. Ela era os seus olhos, os seus ouvidos e as suas mãos. Desde que nasceu. Já nem se importava, quase nada, se o marido pouca atenção lhe dava. O filho era a sua vida, e a sua melhor decisão foi deixar o trabalho para cuidar dele a tempo inteiro.
Em cada reunião na escola a senhora professora confirmava a boa resolução no passado. O seu menino era o mais educado, o mais atento, o que tinha os cadernos mais limpinhos, o que sempre sabia a resposta correcta a qualquer pergunta da senhora professora. E cada classificação num teste, transformava-se num dia de alegria. Na catequese recebia muitos elogios; conhecia a moral e aplicava-a de uma forma impar na relação com as outras crianças.
Mas depois apareceu aquela mulher e mudou a vida dele. Quando a conheceu ele perdeu a personalidade e só faz o que ela quer. Como consegue ela ter tanto domínio sobre ele? Antes ele não era assim! Agora interrompeu o curso, que fazia com tanto sucesso; aos domingos não visita a mãe, nem para almoçar; e até foi despedido do trabalho. Nem os netinhos a avó pode ver. Como é a vida! Uma mulher leva vinte anos a fazer de um filho um homem; depois, aparece outra mulher, e em vinte minutos transforma-o num tolo.
O problema é que ninguém disse à mãe do menino, que nenhuma mulher deve abdicar da sua vida porque nasceu uma criança. O amor e o trabalho são as amarras à vida, que permitem que cada pessoa seja psicologicamente independente. O afecto que se sente por um filho é um extra, maravilhoso, que a vida pode oferecer. A cereja no cimo do bolo. Mas a base da vida de cada pessoa, de onde se retira a lucidez para continuar a viver cada dia, constrói-se na relação de amor com outro adulto e no trabalho.
De outro modo, a mulher que nada mais tem, cede demais ao menino; que mimado e inseguro, procurará noutra mulher uma nova mãe que o cuide e oriente e a quem ele obedecerá. Porque mesmo já grande, ele nunca se fez Homem independente.
(publicado originalmente na revista “Cristina”, em março de 2015)