A importância da imaginação na vida, no amor e no sexo

Escrito em em Outubro 28, 2018

O truque para uma vida feliz está na capacidade e disposição para usar a mais nobre e mais potente das armas humanas: a imaginação

“Beijem o marido que lhes estiver em cima do corpo e mudem com a imaginação o homem num olhar belo que lhes estiver em cima da alma” 

O belo em Fernando Pessoa não está apenas na estética do que produz mas também na inteligência do que afirma. A frase acima é dele, num texto com o qual se propõe entregar alguns conselhos a mulheres mal-casadas.

A vida nem sempre é tal e qual a projetamos na ilusão e no desejo. Nunca é! Mas nem por isso deixamos de viver. Nem de a viver. O truque para uma vida feliz está na capacidade e disposição para usar a mais nobre e mais potente das armas humanas: a imaginação. Através da consciência, ou mente, como alguns lhe chamam, é possível experienciar um nível acima, e voltar ao anterior, ao real, sem neste se padecer em sofrimento.

Esta é uma verdade que se aplica à vida em geral, e em particular no amor e no sexo. Por isso a criança tanto brinca. Para treinar e desenvolver a arte da fantasia, e em adulta ter já o treino e o jeito para fantasiar o amor, e no sexo, o que não é possível na realidade.

Um homem que se ame e se deseje não é sempre um homem que se ame e se deseje. Outros haverá com bastantes mais créditos. Então, para quê ter só um se se pode desejar e gozar com tantos outros, e por vezes muito mais? E se for pela fantasia nem é traição. Como o génio ensinou, o truque é a “substituição”, ou seja, imaginar o gozo com um homem A quando se está copulando com um homem B. Só isso! Apenas isso. Mas com uma felicidade infinitamente maior, e sem a culpa nem a angústia da traição. E se ganha o extra que consiste em também o homem A poder experimentar mais gozo fruto de maior sensualidade.

Ainda na doutrina do mestre e génio, “a maior indisciplina interior junta à máxima disciplina exterior compõe perfeita sensualidade”. Atrevo-me a completar o génio, e dirigir o seu conselho não apenas às mal-casadas, mas a todas as mulheres. Certo que estou, naturalmente, de que a maior felicidade não será apenas para elas mas também para todos os que as rodeiam.  

(publicado originalmente na revista “Cristina”, em dezembro de 2015)


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