Consulta de orientação de pais

Escrito em em Outubro 24, 2018

Sempre que se sinta perdido sobre qual o modo de agir com o seu filho, pergunte ao psicólogo que o segue sobre a Consulta de Orientação de Pais

Não nascemos ensinados. E quanto maior a exigência do que vamos fazer, mais precisamos que alguém nos ensine. É assim em tudo na vida, e é assim também na nobre mas muito difícil tarefa de educação de crianças e de adolescentes. Há muitos séculos cada criança crescia rodeada por cerca de 40 adultos. Todos envolvidos na sua educação. Hoje em casa estão dois, os pais, o pai e a mãe, e por vezes apenas um. E quanto às exigências, aumentaram tanto que o maior especialista daqueles tempos não seria capaz de entender o que se passa hoje com um adolescente de quinze ou dezasseis anos.  

Há muitos, muitos anos, ninguém se sentava à mesa para comer, nem usava talheres, nem se calçava e por isso não precisava de saber como usar os atacadores. As crianças não iam à escola, por isso nem percebíamos se seriam ou não capazes de permanecerem sentadas o tempo de aprendizagem, nem se apresentariam dificuldades como a dislexia. A profissão estava sempre relacionada com a família, e começavam a trabalhar tão cedo que não havia tempo nem oportunidade para se perderem nos perigos dos grupos, como hoje são as drogas. O máximo de partilha talvez não ultrapassasse a frente da igreja antes ou depois da missa nos domingos e dias santos.  

Hoje a vida mudou, e felizmente com a possibilidade de um desenvolvimento nunca antes imaginado para os nossos filhos, o que é uma verdadeira conquista. Mas são muitas as exigências na educação, as dúvidas, sobre o que será melhor ou pior, e a responsabilidade de cada pai e de cada mãe é maior do que alguma vez no passado. Tudo se torna ainda mais difícil quando o desenvolvimento de uma criança ou adolescente exige a atenção de especialistas.  

Como disse uma vez no Você na TV, em muitos casos, quando se recorre à intervenção espacializada direta com a criança ou adolescente, é fundamental incluir aquilo que se vulgarizou chamar Consulta de Orientação de Pais.  Para além do trabalho que o profissional realiza com a criança, os pais continuam a precisar tomar muitas decisões. Como no caso de um telefonema recebido nessa vez no programa, sobre a criança que não fala na presença de pessoas estranhas à família. Se nuns casos proteger a criança em ambientes nos quais ela se sinta segura é um erro, noutros é absolutamente necessário para que a condição psicológica que está a viver não se agrave ainda mais.

A escolha do melhor caminho, nestes casos, só um profissional treinado pode dar. Por isso hoje são muitos os consultórios que se organizaram neste sentido, e integram também este serviço. Outros preferem que o trabalho com os pais seja realizado num segundo consultório. Dependendo dos casos, por vezes é mesmo interrompido o trabalho direto com a criança e continuado o trabalho com os pais.

Cada caso é um caso. Mas o que eu gostaria de lhe dizer é que, sempre que se sinta perdido sobre qual o modo de agir com o seu filho, pergunte ao psicólogo que o segue sobre a Consulta de Orientação de Pais. Ninguém nasce ensinado. E sabe mais quem mais pergunta! Uma boa orientação pode poupar-lhe muitas sessões de terapia.


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