A minha opinião sobre o caso da alegada violação de Cristiano Ronaldo

Escrito em em Outubro 21, 2018

É este o meu ponto de vista sobre a polémica que envolve Cristiano Ronaldo. Sem rodeios, nem falsos pudores.

O final do verão costuma ser animado. Este ano começámos com a mudança de Cristina Ferreira para a SIC, mas logo surgiu a notícia de que uma americana se queixava de abuso sexual por parte de Cristiano Ronaldo. O interesse mudou. Mais apelativo. Sexo, mais algo proibido, mais um protagonista que rende milhões. A receita sucesso para chamar a atenção das pessoas e ocupar a comunicação social.

Já muito se disse e escreveu. Mas mesmo esgotado, a notícia não desaparece. O interesse continua, mesmo que se diga o que já se disse. Gostaria de acrescentar algo novo, se é que ainda é possível. Opto por me referir ao que não se diz. Estamos em presença de dois crimes. Ou melhor, falamos de dois crimes sendo que apenas um deles aconteceu.

O crime de violação, que repugna a quase totalidade das pessoas e que causa um dano avassalador na personalidade da vítima, e o crime de falsa denúncia de violação, que não repugna quase ninguém, mas que causa o mesmo dano avassalador na personalidade da vítima.

Todos sabemos que nas prisões existem reclusos condenados, vítimas de falsas denúncias. O cinema também nos mostra essa realidade. Mas nunca ninguém se lembra. Talvez nenhum de nós consiga aceder totalmente ao sentimento de injustiça e dor de lhe ser atribuído um crime que não cometeu. Quanto mais horrendo o crime, maior essa angústia.

Este é um lado de que não se fala. Parece não ter interesse para um público que paga. Claro que pode efetivamente ter havido crime de violação. Mas pode antes tratar-se de um crime de denúncia falsa. Com base no que sabemos, os dois são possíveis. Este aliás, mais provável pelas estatísticas que indicam que três de cada quatro denúncias são falsas.

Pela matemática, para primeira abordagem, podemos pensar com probabilidade de 25% de verdade num crime de violação e com uma probabilidade de 75% num crime de difamação, denúncia falsa. Apenas probabilidades! Porque não estivemos lá! E são tantos os comentadores a repetir que não estiveram lá, que também a mim já apetece dizer: Eu não estive lá! Sim, eu não estive lá. No quarto. Mas vi. Não tudo, claro, porque como já escrevi também eu não estive lá. No quarto. Vi apenas o que milhões de pessoas também viram. O vídeo da dança. E isto, ninguém me dirá que eu não vi, e por isso posso falar.

A senhora americana roçava as mamas no CR7, depois a sua parte anal nos genitais do Cristiano. Ele parecia distraído, olhando para alguém ou para alguma coisa no seu lado esquerdo. A senhora americana parece ter ficado um pouco irritada e bate-lhe duas vezes no rabo, como quem o repreende por não lhe dar mais atenção. De seguida, já conquistada a atenção de CR7, encosta e roça novamente a sua região anal no pénis do melhor jogador do mundo.

Não sei, porque não tenho informação, se ele apresentou queixa por este assédio sexual dela sobre ele. Mas também não é importante. Ou talvez seja, porque se não é namorada dele, porque faz ela isto? Sim, passou-se em Las Vegas e parece que a senhora era “acompanhante”. Também era aspirante a modelo. Mas o que significa ser “modelo” numa casa noturna? Li que a sua tarefa era estar com outras raparigas em bares a atrair clientes. Modelo?! Posso aceitar sobre duas pessoas acabadas de se conhecerem em Paris, que um convide e o outro aceite subirem juntos à Torre Eiffel para olharem a cidade. Mas em Las Vegas subir a uma penthouse para apreciar a banheira de hidromassagem? ‘Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele’.

Afinal a senhora era prostituta. Com ou sem penetração, mas no intendente muitas vezes se pagava apenas por uns minutos de companhia. Acompanhante ou “modelo” apenas significa que o sexo pago deve ser acordado numa segunda etapa, se subirem para um quarto de hotel. Mas ninguém fala, parece tabu. Sexo pago. No caso de uma mulher profissional a trabalhar em sexo heterossexual, trata-se da oferta, a troco de dinheiro, de sexo oral, sexo vaginal ou sexo anal. E em relação a este, é das boas práticas começar por recusar para depois subir o preço.

Não gosto de hipocrisia, nem da história do Pai Natal, nem dos palhaços no circo. Ao ouvir esta história parece-me que vou a uma gelataria comprar um gelado e o empregado diz-me que só lhe apetece vender-me água com gás. Quem trabalha neste meio, que me fascina, e que bem poderia ser uma profissão reconhecida, não se orienta por sentimentos nem pelo respeito ao alheio. Nem é capaz de o fazer. E isto também deve ser dito, e considerado, quando se discute este caso.

Só falta lembrar que tudo se passa em Las Vegas. A “Capital Mundial do Entretenimento”, e todos somos adultos, sabemos do que estamos a falar. Aí, só os Anjos não têm sexo, ou talvez mesmo esses, porque na verdade é apenas uma questão de quanto pagam. Chamaram-lhe a cidade do pecado. E são intermináveis as listas de advogados especialistas em assédio sexual, que publicitam trabalhar à noite e fins de semana, oferecendo os seus serviços na internet. Que lugar estranho! Disto também não se fala.

Mas a hipocrisia em relação ao sexo continua a ser brutal. E a ‘Justiça’ perde a venda e desequilibra a balança. E a sua espada é implacável e injusta, porque empurrada por hipócritas dissimulados que validam e dão força a este mundo do crime. Em Portugal, sobre este caso, vi e li alguns destes, muito senhores do seu “dever moral”. Tenho para mim, eu que como milhões de outras pessoas também não estive naquele quarto naquela noite, que tudo começou com a raiva dos ciúmes. Ela achou-se a mais bonita e depois ele não a pediu em casamento.

O que fazemos perante alguma coisa que nos mete medo e repugna? Tapamos os olhos. Ela não. Segundo as palavras da mãe, “houve momentos em que ela me ligou porque ele [Cristiano Ronaldo] estava em um outdoor “. E é claro que a ideia de ganhar uns milhões de dólares extra é inerente ao seu “perfil profissional”. Doa a quem doer, esmague quem esmagar. É assim que funciona. Talvez esta seja uma história onde lobo e cordeiro estejam trocados. Mas o Cristiano é grande. Por isso acredito que honrará as muitas mulheres que, como ele, sofreram o horror da violação. Elas no corpo, ele na reputação. E ambos na alma. Quando a senhora americana for condenada e entrar na prisão. E os falsos moralistas meterem, por mais uma época, a viola no saco.

(publicado originalmente no site da revista “Flash”, no dia 19 de outubro)


Tagged as , , ,



Comentários

Deixar um comentário

O seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios marcados com um asterisco (*)