Quem tem filhos tem cadilhos…

Escrito em em Setembro 9, 2018

Há um provérbio que diz “quem tem filhos tem cadilhos, quem não os tem cadilhos tem”. Ou seja, desiluda-se quem opta por não ter filhos apenas para evitar as dores de cabeça que a vida sempre traz…

Os provérbios são os livros do saber do povo. Guardam aqueles conhecimentos que resistiram a muitas gerações, sinal da sua robustez perante a realidade da vida. Num desses provérbios, no caso, do povo judeu, diz-se que “quando Deus estava muito cansado inventou as mães”. Certamente querem dizer que na realidade não é fácil educar e acompanhar o crescimento dos filhos. Educar é ensinar e verificar mas dando liberdade, num tempo em que a criança e o jovem, porque ainda em formação da sua personalidade, originam com frequência problemas que causam sérias dores de cabeça.

Mas é assim, não poderia ser de outra forma. Faz parte da natureza do crescimento, e por isso é mesmo bom que cada candidato a mãe ou a pai reflita primeiro se está ou não disposto para essa nobre mas dura tarefa. E efetivamente hoje são cada vez mais os casais que decidem não ter filhos. Não acho bem nem mal, acho apenas que é importante cada um refletir e passar a conhecer o que é e não é capaz ou não está disponível.

Mas olhando a vida também percebemos que só estar vivo é já uma fonte de desafios. Seja no trabalho, nas relações de amizade ou de amor, e mesmo nos encontros e desencontros com a nossa família de origem, sejam os nossos pais, tios ou primos ou mesmo irmãos.

Talvez por isso também existe um provérbio que diz “quem tem filhos tem cadilhos, quem não os tem cadilhos tem”. Ou seja, desiluda-se quem opta por não ter filhos apenas para evitar as dores de cabeça que a vida sempre traz. Viver, com todas as belezas e perfumes, é também um desafio constante à nossa capacidade de resolver problemas. É realmente importante cada um refletir sobre a sua disponibilidade para se tornar mãe ou pai. Mas não pelos cadilhos. Antes pela disponibilidade afetiva e a capacidade para amar alguém e permitir que esse alguém encontre o seu próprio caminho.   

(publicado originalmente na revista “Cristina”, em maio de 2016)


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