A criança é diferente do adulto

Escrito em em Agosto 29, 2018

Uma criança não é um adulto com um pouco menos de tamanho. A criança é bastante diferente do adulto também na forma como percebe o mundo e age nele

Uma criança não é um adulto com um pouco menos de tamanho. A criança é bastante diferente do adulto também na forma como percebe o mundo e age nele, o que inclui também a forma como é capaz, ou não é capaz, de gerir o seu próprio comportamento.

Mas isto é o que não vemos. E como não se vê, muitas vezes, não se entende. É por ser diferente que quando lhe dizemos em casa para fazer isto ou aquilo e ela não faz de imediato; ou quando um professor pede que passe para o caderno o que está escrito no quadro e ela não o faz; ou quando lhe pedimos para se começar a vestir que já vamos ajudar e ela parece baralhar outra vez toda a sequência; ou quando demora a explicar-nos o que quer como se distraída com um outro qualquer pensamento em vez de escolher a palavra para nos dizer, tantas vezes o adulto fica irritado.

Mas fica irritado sem razão e até com alguma injustiça. O cérebro da criança está ainda em estruturação, em desenvolvimento, e se tudo decorrer a bom ritmo, ainda vai estar em desenvolvimento até por volta dos 18 anos. Já entende muitíssimas palavras, é capaz de dizer frases complexas, mas a linguagem ainda não tem força de comando no seu cérebro. Ou seja, ela ouve, ou pensa, mas passar essa instrução verbal que ouviu ou pensou para um esquema de ação no seu cérebro, não acontece ainda nem com facilidade e nem sem interrupções e erros.

Quando a criança não age de imediato, isso não quer dizer que se está a opor e a expressar a sua libertinagem. Na grande maioria das vezes, não faz porque exatamente não consegue estruturar no cérebro uma base orientadora da ação sobre o que recebeu de forma verbal. E então é necessário que o adulto, conhecedor desta limitação, acompanhe o que lhe diz, ajudando-a nos seus braços e pernas, ou por vezes apenas com uma mão no ombro, para ela ser capaz de realizar o que queremos que faça.

Assim se podem reduzir muitos dos conflitos adulto-criança, resultantes de um falso entendimento sobre o que é e como é uma criança. Com o tempo, naturalmente, o adulto deve reduzir essa ajuda motora e, percebendo uma maior autonomia, aos poucos deve mesmo descontinuar o apoio, que então se tornaria excessivo. E assim ajuda a crescer, respeitando, a criança a seu cargo.


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