Amar é preciso

Escrito em em Julho 20, 2018

Como seria bom que as pessoas formassem vínculos emocionais com os outros e aprendessem a ouvir um “não”… Dessa forma estariam aptas a amar, que tanto é preciso

A chegada do verão levou a que, mais uma vez, as notícias nos dessem conta das muitas pessoas que abandonam os animais nesta época do ano. Mas o tema, como todos os anos acontece, mais uma vez me fez pensar sobre a incapacidade que na nossa sociedade atual as pessoas mostram no que toca a amar.

Muitos destes animais não foram escolhidos exatamente por serem quem são, mas apenas porque os seus donos não eram capazes de enfrentar um vínculo emocional com um outro humano. Sentem a falta, claro, como qualquer outro humano. Mas porque não aguentam o “não” que eventualmente possam escutar; porque não têm coragem para dizer ao outro do que gostam e do que não gostam e como essa sua incapacidade os obrigaria a tolerar, quase de forma insuportável, o que não gostam na outra pessoa, optam por escolher um animal, um cão ou um gato, que, pela sua própria natureza, a do animal e a do humano, sempre conseguirão dominar e assim se aguentam longe dos humanos. Ou assim julgam. E quando chega um tempo em que lhes apetece sair de casa, como é o caso no verão, o seu companheiro de inverno deixa de ser importante.

Como seria bom que os humanos desenvolvessem a capacidade de formarem vínculos emocionais com outras pessoas, que aprendessem a ouvir um “não”, e que desenvolvessem a força para dizerem o que gostam e não gostam nas pessoas com quem convivessem, e assim melhorassem o convívio com outros humanos. Dessa forma estariam aptos a amar, que tanto é preciso, e quando levassem um cão ou um gato para suas casas, não seria para taparem carências, mas porque conscientemente os desejavam a seu lado. E não teríamos esta tristeza todos os anos.

Apaixonem-se e amem, porque é preciso, e talvez assim já não precisem abusar temporariamente dos animais.


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