A maior dor

Escrito em em Julho 11, 2018

Se formos sinceros, pelo menos connosco, todos vamos reconhecer não haver maior dor… que a solidão.

Acredito não haver maior dor que a dor da solidão. A nossa espécie tem características biológicas que nos impelem à relação e por isso, desde bebés, a necessidade de um outro que responda à nossa existência dita o nosso comportamento com a mesma força que o reflexo de sucção ou o reflexo de Moro. Nada pode impedir esse padrão inato, e, se ele não é completado pela contingência de um outro respondente à iniciativa do bebé, este deixa-se morrer, como os cientistas descobriram há mais de setenta anos.  

Ao longo do desenvolvimento este instinto sofre uma ligeira reformulação mas nunca perde a intensidade. Ensaiamo-lo com os amiguinhos, depois com os amigos mais velhos já na adolescência e por fim ensaiamo-lo também nos vários namoros, uns que a vida nos propõe, outros que propomos nós à vida. 

Por fim, já adultos, partilhamos com um alguém especial essa herança biológica agora com muitos traços psicológicos metidos pelo meio. Mas nunca lhe podemos fugir, e a ideia de não precisar de um amor é uma ilusão que nem a nós próprios engana. Se formos sinceros, pelo menos connosco, todos vamos reconhecer não haver maior dor que a solidão. A relação é psicológica, mas é também biológica, por isso, como o ar que respiramos, não pode ser dispensada. 


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