Amar ou gostar?

Escrito em em Julho 5, 2018

Nos últimos anos assistimos em Portugal a uma banalização do verbo “amar”, que muitos confundem com “gostar”

Temos pouco cuidado no uso que fazemos das palavras, ainda que esse uso ajude a organizar o que pensamos e o que sentimos. Nos últimos anos assistimos em Portugal a uma banalização do verbo “amar”.

Dizemos que amamos a mulher ou o homem que conhecemos na véspera, dizemos que amamos uma amiga ou amigo, e até os animais são objecto do nosso amor (pelo menos nas nossas palavras).

Mas amar respeita ao sentimento que se experimenta por alguém com quem partilhamos a nossa vida e o nosso corpo, sem que o desejemos fazer com qualquer outra pessoa.

Nem sempre temos a sorte de poder dizer que amamos alguém. Muitas vezes o cobiçado verbo nem é adequado para descrever o nosso sentimento pela pessoa com quem casámos. Muitas vezes gostamos, e até muito, da nossa namorada ou namorado, da nossa mulher ou do nosso homem, mas dizer que amamos é excessivo.

E não faz mal. Pode ainda assim ser bom para os dois. Mas parece-me um erro grave usar o verbo errado. E não apenas porque estamos a enganar a outra pessoa, mas também porque nos vamos iludir a nós próprios. E porque deste modo fica mais difícil encetar novos caminhos, caminhos que nos levem a um tempo onde amar já não fosse apenas uma palavra, mas descrevesse um sentimento verdadeiro.


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