Abraço entre homens

Escrito em em Julho 2, 2018

Muitos dos jovens de hoje acreditam que um abraço entre homens é algo menos próprio. O que me espanta. E assusta.

Há uns tempos, estive numa escola de 2º e 3º Ciclos para falar de bullying com os alunos. A conversa foi avançando e, de acordo com o plano, chegámos ao momento em que estava previsto falar de afectos. Fiquei espantado com a aflição que lhes provoquei ao referir o abraço entre dois rapazes. Ao longo da minha vida, sempre vi que os homens apertavam a mão e, quando queriam expressar um afecto mais intenso, por exemplo ao fim de um tempo sem se encontrarem ou numa situação difícil, davam um abraço. Por isso não percebi de imediato o que os estava a afligir.

Percebi depois que um abraço era entendido por eles como coisa de “virado”, como eles disseram, e por isso menos próprio para quem se quer mostrar “durão” e claramente “homem”. Se ao princípio tinha ficado espantado, depois fiquei assustado. O que estamos a fazer aos nossos filhos e aos nossos alunos? Ainda perguntei, com alguma ilusão e muita esperança, se um pai e um filho podiam dar um abraço, ao que um dos rapazes rapidamente me respondeu: “Um pai e um filho?! O meu claro que não!” Estremeci.

Esqueci-me do bullying (ou não!) e falei-lhes de afectos. Disse-lhes que nalguns países os homens até dão um beijo, mesmo sendo apenas amigos, e que para eles não há qualquer mal nisso, e dar um abraço sabe sempre muito bem. Vejo lá pelo meio da sala dois colegas a abraçarem-se e dou-lhes os parabéns. Percebo também que a sala cheia de alunos, que sempre estiveram em absoluta confusão, agora estão sossegados e muito atentos.

Ganhei o dia, ou talvez o ano, quando no final, vários vieram dar-me um abraço.


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