Mãe mata filha

Escrito em em Junho 25, 2018

Sempre que este tipo de notícias enche os jornais, todos nos perguntamos se uma mãe pode matar um filho sem estar mentalmente doente. É uma discussão interessante. E importante.

Sempre que os jornais se enchem com a notícia de que uma mãe matou um filho, aparecem sempre as mesmas perguntas: “Se planeou?”, etc., etc. E aparecem sempre os mesmos comentários: “Que é boa mãe”, “Que não falta com nada aos outros filhos”, também etc., etc. E naturalmente que também não poderia faltar a discussão sobre se é possível uma mãe matar um filho sem estar mentalmente doente, ou se todas as mães gostam dos filhos e se gostam de todos da mesma maneira.

A discussão é interessante, e naturalmente importante. Fala sobre nós, Humanos. Mas está demasiado contaminada por preconceitos, medos e angústias, e não resulta uma conversa fácil. As afirmações que a ciência possa fazer colidem com as emoções dos próprios cientistas, que, aflitos, preferem negar as evidências que centenas de pessoas conhecem de experiência vivida.

Nega-se o que todos sabem, que nem todas as mães gostam dos filhos; que uma mãe não gosta igual de todos os filhos; que o vínculo emocional da parentalidade é construído na relação e que pode existir ou não; e que só mulheres muito especiais conseguem colocar os seus filhos à frente dos seus próprios interesses ou necessidades.

E se por vezes alterações graves do estado de consciência, de origem hormonal justificam o ato, noutras vezes, e como acontece em tantas outras espécies animais, também as mães humanas matam os próprios filhos sem estarem loucas. E a capacidade de conseguir ou não descrever o que aconteceu é suficiente para perceber a diferença. Mas é melhor negar tudo isto para não enfrentar a angústia …


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